Pão fresco de pão

Artisan Bread - Pão Artesanal

O pão tornou-se um alimento sagrado quando Jesus Cristo disse: - eu sou o pão da vida, e quem vem a mim, nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede. Posteriormente, fez invocação semelhante na véspera da morte. Na última ceia, ao instituir a eucaristia (comunhão), pegou o pão, partiu e deu aos discípulos, dizendo: - Isto é o meu corpo oferecido por vós, fazei isto em memória de mim. Portanto, comemoramos o natal com o alimento excelso da civilização cristã, cuja proeminência só é comparável ao papel do arroz no mundo oriental, onde costuma ser colocado nos altares budistas da Ásia, representando felicidade, boa sorte e prosperidade. Saboreamos pães principescos na festa do nascimento de Jesus, enriquecidos com uvas-passas e frutas secas, panettone, pandoro, panforte, pandolce, pangiallo, panpepato, pan d’épices, stollen além de bolos enriquecidos com a mesma equivalência simbólica.

Pão di Campagne

 

Entre os cristãos, quando se pensa em escolher um alimento para a mesa de Páscoa, prefere-se o bacalhau ou o cordeiro. Ambos fazem sentido. O consumo do bacalhau se relaciona ao preceito da abstinência de carne na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, em memória de Jesus. O cordeiro veio da tradição do Pessach dos judeus. Eles tinham o costume de sacrificar um desses animais para Deus, em remissão dos seus pecados. No cristianismo, Jesus passou a ser representado na arte por um cordeiro que tem na mão uma cruz.

Pão Filão Artesanal Rústico

Uma das receitas de sucesso que aportaram no Brasil foi a da ciabatta. Pela sua curiosidade e juventude merece comentário à parte, representando no caso as demais variedades de pão. Para começar, tem nome de calçado. A palavra ciabatta designa originalmente a chinela ou pantufa, com uma tira em cima do pé, sem envolver o calcanhar, usada em casa pelas nossas avós. O pão lembra o formato retangular daquele sapato e conquista o paladar das pessoas pela casca dourada e crocante, o miolo aerado e macio, com muitos alvéolos irregulares e o aroma de farinha fresca. São características atribuídas à ciabatta por ser feita com uma massa bastante hidratada e demoradamente fermentada . Certas fontes afirmam que surgiu acidentalmente, em remoto passado, por descuido de um padeiro. Ele teria adicionado água em excesso na farinha e a massa ficou mole demais. Não quis jogá-la fora e acabou assando para ver o resultado. Deu no que deu. Mas os historiadores modernos da panificação acreditam que a ciabatta foi criada em 1982 pelo padeiro italiano Arnaldo Cavallari (1932-2016), na comuna italiana de Adria, província de Rovigo, região do Vêneto. Na época, ele era mais conhecido por uma proeza paralela. Tinha sido cinco vezes campeão italiano de rally, em 1962, 63, 64, 68 e 71. Cavallari assegurou que desenvolveu a receita inspirado em um pão antigo da província de Como, na região da Lombardia, contando com a consultoria do professor francês Raymond Calvel, autor do livro “Le Goût du Pain” (Jérôme Villette, Paris, 1997), autoridade mundial em panificação. Orientado pelo mestre, aumentou a hidratação da massa tradicional e surgiu a achatada ciabatta. A receita se espalhou rapidamente pelo mundo afora, com a ajuda de Cavallari. Ele a divulgou pessoalmente, visitando 56 países, inclusive o Brasil, onde uma das primeiras padarias a prepará-la, em 1994, foi a veterana Basilicata, da rua Treze de Maio, 596, no bairro da Bela Vista, em São Paulo. O pai do pão sugeriu comermos ciabatta em todas as ocasiões: no café, no lanche ou em sanduíches (o de presunto cru com queijo brie, rúcula e um fio de azeite é irrecusável) e às refeições, incluindo festas como a Páscoa e o Natal. Por último, reforçou seu caráter celestial. “Pão não se come sozinho, divide-se”, disse Cavallari. “Isso é bíblico”.